Já fazia alguns anos que eu ouvia falar de "Corações e Mentes" como uma obra referência dentro do gênero de documentários, não só através de críticas, mas também de comentários de amigos e conhecidos. O entusiasmo de tais manifestações sempre me deixou curioso em assistir a esse filme, mas o problema é que nem em VHS o mesmo havia sido lançado, e as exibições em cinemas dele eram cada vez mais raras. Em uma daquelas jogadas de sorte, "Corações e Mentes" foi relançado uns três anos atrás no Brasil em cópia nova. Quando finalmente consegui assistí-lo, pude perceber os motivos de tantas louvações. Tendo por tema a participação dos EUA na Guerra do Vietnã, esse documentário americano de 1974 atua basicamente em duas frentes. Por um lado, mostra com crueza o cotidiano do conflito entre americanos e vietnamitas no front de batalha, retratando todas as duras conseqüências da guerra tanto para soldados quando para a população do país. Por outro, os reflexos do conflito também colhidos nos próprios Estados Unidos, através de depoimentos que vão do alienado ao francamente obtuso até declarações amargas de militares e ex-combatentes. O que torna "Corações e Mentes" um clássico cinematográfico é a habilidade do diretor Peter Davis em pegar todo esse farto material e dar-lhe uma unidade fenomenal, através de uma montagem que casa com precisão imagens impressionantes da guerra com entrevistas contundentes, dando uma fluidez admirável para a sua narrativa. A edição do filme é tão fascinante que faz com que Davis dispense a narrativa em off para oferecer a sua visão pessoal sobre a insanidade colocada em prática no Vietnã.
sexta-feira, 23 de setembro de 2011
quarta-feira, 21 de setembro de 2011
King Kong
Comparada com a obra original de 1933, essa versão mais recente de “King Kong” (2005) perde no quesito concisão, sendo que as mais de três horas de duração acabam se revelando um pouco excessivas. Apesar disso, a versão das aventuras do gorilão de Peter Jackson é disparada uma das grandes experiências cinematográficas dos últimos anos.
Os momentos iniciais em Nova Iorque e durante a viagem da expedição até a Ilha da Caveira são muito bem delineados, mas na realidade servem muito mais como elementos de expectativa, pois o filme se torna realmente monumental quando a expedição chega ao seu destino. A partir desse momento, teremos algumas das seqüências de ação, praticamente ininterruptas, mais delirantes já assistidas. Dos tensos e assustadores conflitos entre a expedição e os macabros nativos até a captura de Kong, Jackson orquestra uma aventura insana regada a muita morte, destruição e selvageria, com alguns breves e belos interlúdios românticos entre Ann Darrow (Naomi Watts) e o gorilão. O genial diretor neo-zelandês joga o bom senso e a contenção para o alto, sendo que o seu filme tem até uma incrível e absurda seqüência em que uma manada de dinossauros corre em disparada e capota espetacularmente. Aliás, isso é uma coisa que precisa ser dita: "King Kong" é o melhor filme de dinossauros que já assisti nos cinemas. Mas certamente o auge nessa loucura toda perpetrada por Jackson é o longo e violento combate travado entre Kong e três tiranossauros rex em que cada segundo é maravilhosamente indispensável.
Na parte final de "King Kong", a ação volta novamente para Nova Iorque com o nosso amigo primata capturado. Jackson dá uma freada no ritmo frenético das seqüências na Ilha da Caveira, mas essa desaceleração é breve. Logo depois, o embate final entre Kong e os aviões no topo do Empire State é realizado com um requinte visual e emocional ainda maior que nas versões anteriores. O momento em que os aviões surgem pela primeira vez deveria constar em uma antologia de cenas marcantes da história do cinema.
Como saldo final, pode-se dizer com certeza que "King Kong" é o melhor filme de Jackson desde "Almas Gêmeas" (1994), mostrando que mesmo trabalhando dentro de um "esquemão" Hollywood ele consegue marcar de forma indelével a sua concepção original, insana e apaixonada de cinema, conhecida desde as suas obras-primas iniciais como "Fome Animal" (1982) e "Meet The Feebles" (1989).
Os momentos iniciais em Nova Iorque e durante a viagem da expedição até a Ilha da Caveira são muito bem delineados, mas na realidade servem muito mais como elementos de expectativa, pois o filme se torna realmente monumental quando a expedição chega ao seu destino. A partir desse momento, teremos algumas das seqüências de ação, praticamente ininterruptas, mais delirantes já assistidas. Dos tensos e assustadores conflitos entre a expedição e os macabros nativos até a captura de Kong, Jackson orquestra uma aventura insana regada a muita morte, destruição e selvageria, com alguns breves e belos interlúdios românticos entre Ann Darrow (Naomi Watts) e o gorilão. O genial diretor neo-zelandês joga o bom senso e a contenção para o alto, sendo que o seu filme tem até uma incrível e absurda seqüência em que uma manada de dinossauros corre em disparada e capota espetacularmente. Aliás, isso é uma coisa que precisa ser dita: "King Kong" é o melhor filme de dinossauros que já assisti nos cinemas. Mas certamente o auge nessa loucura toda perpetrada por Jackson é o longo e violento combate travado entre Kong e três tiranossauros rex em que cada segundo é maravilhosamente indispensável.
Na parte final de "King Kong", a ação volta novamente para Nova Iorque com o nosso amigo primata capturado. Jackson dá uma freada no ritmo frenético das seqüências na Ilha da Caveira, mas essa desaceleração é breve. Logo depois, o embate final entre Kong e os aviões no topo do Empire State é realizado com um requinte visual e emocional ainda maior que nas versões anteriores. O momento em que os aviões surgem pela primeira vez deveria constar em uma antologia de cenas marcantes da história do cinema.
Como saldo final, pode-se dizer com certeza que "King Kong" é o melhor filme de Jackson desde "Almas Gêmeas" (1994), mostrando que mesmo trabalhando dentro de um "esquemão" Hollywood ele consegue marcar de forma indelével a sua concepção original, insana e apaixonada de cinema, conhecida desde as suas obras-primas iniciais como "Fome Animal" (1982) e "Meet The Feebles" (1989).
terça-feira, 20 de setembro de 2011
A Noiva Perfeita

“A Noiva Perfeita” (2006) é o tipo de filme “não fede nem cheira”: direção sem maiores inspirações, roteiro água com açúcar travestido de “ousado”, diálogos metidos a esperto, atores simpáticos (mas que atuam no piloto automático). Ou seja: tão inofensivo e quadrado quanto as comédias românticas mais insossas com Meg Ryan. Mas há um detalhe que faz toda a diferença: é um filme francês!! E como diria o velho e bom Nelson Rodrigues, tudo que é dito em francês parece mais inteligente..
domingo, 18 de setembro de 2011
Alguém Tem de Ceder

“Alguém Tem de Ceder” (2003) é aquele tipo de produção que gosta de tirar uma onda de que é uma obra madura, inteligente, sofisticada, sensível ou coisa que o valha, e supostamente seria uma espécie de contraponto aos brutais e descerebrados filmes de aventura com efeitos especiais que domina os nossos cinemas por aí. Pura cascata!! É só dar uma sacada no roteiro para perceber a lorota: coroa ricaço, boa vida e que só sai com jovenzinhas gostosas (Jack Nicholson) conhece escritora sessentona de prestígio (Diane Keaton), mãe de uma de suas conquistas, que faz com que ele reveja seus conceitos. E, é claro, os dois se apaixonam. Ah, e para provar como a tal da senhora é uma mulher realmente fascinante, um médico (Keanu Reeves) com metade da idade dela também se encanta com a mesma e passa a disputar com o tal coroa quem vai ficar com a nossa heroína. Como vocês podem ver, tudo bem mais profundo e adulto que essas bobagens de “Senhor dos Anéis”, “Harry Potter”, “Homem Aranha” e afins... Mas o que me incomoda realmente em “Alguém Tem de Ceder” é a sua absoluta falta de vida: não é a previsibilidade da trama o problema, mas sim a direção mecânica e burocrática de Nancy Meyers que tira qualquer traço de vitalidade e espontaneidade do filme. O que resta é Diane Keaton reprisando os mesmos faniquitos de sempre e Jack Nicholson mantendo a mesma expressão aparvalhada durante todo o filme (justiça seja feita: mesmo assim o cara continua muito acima da média).
sábado, 17 de setembro de 2011
Rota Suicida
A linha básica da trama de "Rota Suicida" é bem simples, girando em torno da história do policial durão e alcoólatra Ben Shockley (Clint Eastwood, numa variação eficiente do seu clássico papel de Dirty Harry) que deve proteger a prostituta Gus Mally (Sondra Locke), testemunha de um caso envolvendo corrupção policial. É claro que alguns homens da lei envolvidos não querem deixar barato, sendo que Schockley é incriminado injustamente e é obrigado a fugir com a sua protegida. Esse fio de roteiro pode parecer banal, e realmente não tem nada demais. O grande mérito de Eastwood é justamente extrair disso um eletrizante filme de ação. Mesmo com uma série de clichês, ele consegue fazer um filme tenso, impactante e que prende a atenção de quem assiste de forma implacável.
Como bom pupilo do mestre Don Siegel, com quem já havia trabalhado em uma série de filmes magníficos como "Perseguidor Implacável" e "Meu Nome é Coogan", Eastwood sabe que originalidade de roteiro não é algo que conta muito para se fazer um bom filme policial. O bom diretor desse gênero sabe que o que importa é fazer um trabalho bem cuidado em termos de edição, fotografia e caracterização de personagens, e é isso que é determinante para dar agilidade narrativa para um filme, não importando as obviedades do roteiro. Nesse sentido, Eastwood mostra entender do riscado como poucos em "Rota Suicida". Dispensando maiores efeitos e utilizando-se de uma montagem equilibrada e fotografia limpa, o diretor cria seqüências de ação de tirar o fôlego, como aquela em que Shockley tenta escapar em uma moto da perseguição incessante de um helicóptero. Fantástica também é toda a seqüência final, em que o protagonista, dentro de um ônibus blindado, é obrigado a enfrentar quase toda a força policial de Phoenix. Eastwood também fez a escolha sábia de centrar sua narrativa quase que exclusivamente em situações de Shockley se safando de várias enrascadas, que incluem até um quebra pau com uma turma de pretensos Hell Angels, o que dá uma concisão fabulosa para "Rota Suicida".
É senso comum na crítica cinematográfica dizer que Clint Eastwood tornou-se um diretor "respeitável" apenas a partir de "Bird" (1988). Assistindo, entretanto, obras como "Josey Wales" (1976) e esse "Rota Suicida" (1977) pode-se constatar que o cara já fazia ótimos filmes a bem mais tempo.
Como bom pupilo do mestre Don Siegel, com quem já havia trabalhado em uma série de filmes magníficos como "Perseguidor Implacável" e "Meu Nome é Coogan", Eastwood sabe que originalidade de roteiro não é algo que conta muito para se fazer um bom filme policial. O bom diretor desse gênero sabe que o que importa é fazer um trabalho bem cuidado em termos de edição, fotografia e caracterização de personagens, e é isso que é determinante para dar agilidade narrativa para um filme, não importando as obviedades do roteiro. Nesse sentido, Eastwood mostra entender do riscado como poucos em "Rota Suicida". Dispensando maiores efeitos e utilizando-se de uma montagem equilibrada e fotografia limpa, o diretor cria seqüências de ação de tirar o fôlego, como aquela em que Shockley tenta escapar em uma moto da perseguição incessante de um helicóptero. Fantástica também é toda a seqüência final, em que o protagonista, dentro de um ônibus blindado, é obrigado a enfrentar quase toda a força policial de Phoenix. Eastwood também fez a escolha sábia de centrar sua narrativa quase que exclusivamente em situações de Shockley se safando de várias enrascadas, que incluem até um quebra pau com uma turma de pretensos Hell Angels, o que dá uma concisão fabulosa para "Rota Suicida".
É senso comum na crítica cinematográfica dizer que Clint Eastwood tornou-se um diretor "respeitável" apenas a partir de "Bird" (1988). Assistindo, entretanto, obras como "Josey Wales" (1976) e esse "Rota Suicida" (1977) pode-se constatar que o cara já fazia ótimos filmes a bem mais tempo.
quinta-feira, 15 de setembro de 2011
Showgirls
A história do cinema é pródiga em filmes considerados malditos, obras que ganharam esse título devido a uma temática polêmica ou por apresentarem qualidades artísticas e comerciais questionáveis, nesse último caso, aquilo que podemos chamar de "bombas". É claro que alguns filmes fazem jus a esse estigma, pois realmente são muito ruins. Mas há casos, entretanto, que tal denominação acaba sendo equivocada, sendo fruto de uma percepção preconceituosa ou medíocre. Eu acredito que "Showgirls" enquadra-se nesse último caso. Considerado por muitos críticos e boa parte do público como um dos maiores fiascos da história do cinema, esse foi o filme que quase enterrou a carreira do genial diretor holandês Paul Verhoeven (na verdade, ele nem levou muito a sério esta história, comparecendo em 1996 na entrega do Framboesa de Ouro, quando "Showgirls" foi "vencedor" em várias categorias). Talvez o que tenha levado a tantos a se frustrarem foi o fato de esperarem um novo "Instinto Selvagem", um dos maiores sucessos de Verhoeven e igualmente roteirizado por Joe Eszterhas. O que diferencia os dois filmes, entretanto, é simples: enquanto que em "Instinto Selvagem" temos uma contra-parte "do bem", mesmo que perturbada, na figura do detetive Nick Curran (Michael Douglas) para a figura amoral de Catherine Tramell, em "Show Girls" isso inexiste - em sua trama ninguém é flor que se cheire, e até mesmo a pretensa heroína Nomi Malone (Elisabeth Berkley), por exemplo, não hesita em empurrar a sua rival Cristal Connors (Gina Gershons) para tomar o seu lugar de atração principal de um dos mais famosos números de dança das boates de Las Vegas. E se "Instinto Selvagem" é basicamente um suspense policial pontuado por fortes seqüências eróticas, "Show Girls" é um melodrama sobre ascensão no show business recheado de uma sexualidade que beira quase o pornográfico.
A verdade é que quem lesse atentamente o roteiro de "Showgirls" veria com certeza que se tratava de um verdadeiro suicídio comercial: essencialmente é a trajetória de dançarina loira e gostosa que quer vencer na vida, saindo de um bagaceiro bar de stripper para um show de dança erótica em um dos maiores cassinos de Las Vegas (sério, mas não se consegue perceber com grande clareza qual seria a grande evolução na vida da personagem nessa troca de emprego...). E para coroar todo esse exagero, o pano de fundo da trama é uma Las Vegas no auge da cafonice. Os olhos de Verhoeven devem ter brilhado quando ele viu todo o material que tinha em mãos. Ele joga qualquer traço de sutileza para o espaço, não abrindo qualquer concessão no seu estilo e dando um tratamento barroco e operístico para a saga de Nomi Malone. O cineasta filma as ultra-bregas coreografias das apresentações nos cassinos com uma paixão e sentido épico impressionantes. Sua câmera também dá uma dimensão insólita e ainda mais grandiosa para Las Vegas, fazendo com que a mesma pareça uma versão modernosa de Sodoma e Gomorra. Nesse sentido ainda, Verhoeven não poupa extremos: a podridão moral e a falta de escrúpulos rondam toda a trama, rendendo seqüências antológicas como aquela em que a nossa "heroína" faz a dança do colo em um influente executivo (Kyle MacLachlan) para receber uma oportunidade de emprego ou quando um diretor de coreografia (Robert Davi) sugere a candidatas para um de seus espetáculos que passem cubos de gelos nos seus mamilos para deixá-los mais durinhos...
Talvez o que leve tantos a odiarem "Showgirls" é quererem encarar o filme como se tudo aquilo fosse alguma análise séria de Verhoeven sobre o mundo dos espetáculos ou coisa parecida. O que o diretor realmente nos oferece é uma visão extrema e absurda sobre um tema que nem é tão importante assim, sendo apenas um pretexto para o seu fabuloso virtuosismo cinematográfico que se mostra no auge. A lógica de "Showgirls" é tão escapista e fantasiosa quanto a de humanos guerreando contra insetos gigantes e alienígenas em "Tropas Estelares", outra obra-prima do mestre holandês.
A verdade é que quem lesse atentamente o roteiro de "Showgirls" veria com certeza que se tratava de um verdadeiro suicídio comercial: essencialmente é a trajetória de dançarina loira e gostosa que quer vencer na vida, saindo de um bagaceiro bar de stripper para um show de dança erótica em um dos maiores cassinos de Las Vegas (sério, mas não se consegue perceber com grande clareza qual seria a grande evolução na vida da personagem nessa troca de emprego...). E para coroar todo esse exagero, o pano de fundo da trama é uma Las Vegas no auge da cafonice. Os olhos de Verhoeven devem ter brilhado quando ele viu todo o material que tinha em mãos. Ele joga qualquer traço de sutileza para o espaço, não abrindo qualquer concessão no seu estilo e dando um tratamento barroco e operístico para a saga de Nomi Malone. O cineasta filma as ultra-bregas coreografias das apresentações nos cassinos com uma paixão e sentido épico impressionantes. Sua câmera também dá uma dimensão insólita e ainda mais grandiosa para Las Vegas, fazendo com que a mesma pareça uma versão modernosa de Sodoma e Gomorra. Nesse sentido ainda, Verhoeven não poupa extremos: a podridão moral e a falta de escrúpulos rondam toda a trama, rendendo seqüências antológicas como aquela em que a nossa "heroína" faz a dança do colo em um influente executivo (Kyle MacLachlan) para receber uma oportunidade de emprego ou quando um diretor de coreografia (Robert Davi) sugere a candidatas para um de seus espetáculos que passem cubos de gelos nos seus mamilos para deixá-los mais durinhos...
Talvez o que leve tantos a odiarem "Showgirls" é quererem encarar o filme como se tudo aquilo fosse alguma análise séria de Verhoeven sobre o mundo dos espetáculos ou coisa parecida. O que o diretor realmente nos oferece é uma visão extrema e absurda sobre um tema que nem é tão importante assim, sendo apenas um pretexto para o seu fabuloso virtuosismo cinematográfico que se mostra no auge. A lógica de "Showgirls" é tão escapista e fantasiosa quanto a de humanos guerreando contra insetos gigantes e alienígenas em "Tropas Estelares", outra obra-prima do mestre holandês.
terça-feira, 13 de setembro de 2011
Profissão de Risco
Em "Profissão de Risco", o diretor Ted Demme parece nos dizer insistentemente que quer ser o novo Martin Scorsese. Bem, se ele conseguiria atingir tal objetivo é uma incógnita, afinal Demme faleceu em 2002, logo após ter finalizado "Profissão de Risco". Mas a julgar pelo filme em questão, é provável que dificilmente atingisse tal patamar. Até porque Scorsese já demonstrava genialidade no início de sua carreira, em filme como "Quem Bate a Minha Porta", "Sexy e Perigosa" e "Caminhos Perigosos", coisa que Demme nunca demonstrou em sua curta carreira cinematográfica. Mas não ser Scorsese não implica necessariamente em ser ruim, sendo que em "Profissão de Risco" podemos encontrar alguns momentos de bom cinema.
Demme formata "Profissão de Risco", tanto formal quanto tematicamente, tendo como modelo "Os Bons Companheiros", uma das grandes obras-primas de Scorsese, contando a história de ascensão, apogeu e queda do traficante George Jung (Johnny Depp). Guardadas às devidas proporções, a primeira metade de "Profissão de Risco" remete bastante aos filmes de gangsters de Scorsese, com um ritmo frenético (que parece aludir ao consumo de cocaína), caracterização bem trabalhada dos anos 60 e 70 e narração em off pautando a ação. São nesses momentos que o filme tem as suas melhores seqüências, com Demme sabendo conciliar com firmeza ironia e dramaticidade, além de contar com uma edição envolvente que se casa de forma eficiente com a trilha sonora recheada de ótimas canções emblemáticas da época. O diretor cria também um clima de dubiedade para a sua trama, em que a opulência e intensidade da vida do protagonista provocam um efeito de atração e repúdio para quem assiste.
Os problemas de "Profissão de Risco" começam aparecer, entretanto, no segundo ato do filme, que corresponde à decadência financeira e moral de Jung. O filme adquire uma narrativa muito mais arrastada e marcada por um forte tom moralista do tipo "você fez e agora você tem de pagar". Perde-se o sarcasmo do início, e fica apenas o rosário de desgraças para o nosso "herói". Demme parece esquecer alguns dos princípios do seu mestre, transformando a história de Jung em apenas mais uma parábola de como não devemos desobedecer a lei sob o risco de nos arrependermos. Uma das coisas fascinantes em "Os Bons Companheiros" era justamente o fato de que os personagens de Scorsese não pareciam demonstrar arrependimento dos seus atos, aceitando resignados o seu destino como uma das possíveis conseqüências para os seus crimes. O brilhante final resumia perfeitamente esse espírito: Henry Hill (Ray Liotta), já sob as asas do programa de proteção a testemunhas, olha o seu prato de macarrão com catchup e diz: "eu comia muito melhor antes". Aliás, um detalhe curioso em "Profissão de Risco" é o fato de Ray Liotta participar do filme como o pai de Jung, dando justamente a impressão desse último parecer uma versão júnior de seu marcante personagem em "Os Bons Companheiros".
Demme formata "Profissão de Risco", tanto formal quanto tematicamente, tendo como modelo "Os Bons Companheiros", uma das grandes obras-primas de Scorsese, contando a história de ascensão, apogeu e queda do traficante George Jung (Johnny Depp). Guardadas às devidas proporções, a primeira metade de "Profissão de Risco" remete bastante aos filmes de gangsters de Scorsese, com um ritmo frenético (que parece aludir ao consumo de cocaína), caracterização bem trabalhada dos anos 60 e 70 e narração em off pautando a ação. São nesses momentos que o filme tem as suas melhores seqüências, com Demme sabendo conciliar com firmeza ironia e dramaticidade, além de contar com uma edição envolvente que se casa de forma eficiente com a trilha sonora recheada de ótimas canções emblemáticas da época. O diretor cria também um clima de dubiedade para a sua trama, em que a opulência e intensidade da vida do protagonista provocam um efeito de atração e repúdio para quem assiste.
Os problemas de "Profissão de Risco" começam aparecer, entretanto, no segundo ato do filme, que corresponde à decadência financeira e moral de Jung. O filme adquire uma narrativa muito mais arrastada e marcada por um forte tom moralista do tipo "você fez e agora você tem de pagar". Perde-se o sarcasmo do início, e fica apenas o rosário de desgraças para o nosso "herói". Demme parece esquecer alguns dos princípios do seu mestre, transformando a história de Jung em apenas mais uma parábola de como não devemos desobedecer a lei sob o risco de nos arrependermos. Uma das coisas fascinantes em "Os Bons Companheiros" era justamente o fato de que os personagens de Scorsese não pareciam demonstrar arrependimento dos seus atos, aceitando resignados o seu destino como uma das possíveis conseqüências para os seus crimes. O brilhante final resumia perfeitamente esse espírito: Henry Hill (Ray Liotta), já sob as asas do programa de proteção a testemunhas, olha o seu prato de macarrão com catchup e diz: "eu comia muito melhor antes". Aliás, um detalhe curioso em "Profissão de Risco" é o fato de Ray Liotta participar do filme como o pai de Jung, dando justamente a impressão desse último parecer uma versão júnior de seu marcante personagem em "Os Bons Companheiros".
domingo, 11 de setembro de 2011
Anos de Rebeldia
Lançado em 1979 e considerado um dos vários pontos altos da carreira de Neil Young, o álbum "Rust Never Sleeps" é o reflexo de uma época conturbada tanto para o rock quanto para o próprio mundo. Era um tempo ainda muito marcado pela efervescência violenta e niilista do punk, com o ideário de paz e amor da geração "flower power" sepultado. Intrigado com a situação, o mestre canadense resolve expressar sua visão desse período através do disco em questão, cujo título, "A Ferrugem Nunca Dorme", já é uma alusão ao temor do autor de ser transformado em apenas mais um anacronismo. A clássica canção de abertura do disco, "Hey Hey, My My (Out Of The Blue)", sintetiza com perfeição o espírito da obra. Nela, Neil Young declara o seu amor ao rock and roll e faz dele a sua profissão de fé, mas ao mesmo tempo expõe as suas contradições, fazendo a ligação direta entre o Rei Elvis Presley e o príncipe bastardo Johnny Rotten, vocalista e líder dos Sex Pistols. É nessa canção, inclusive, que está a famosa sentença "é melhor queimar do que enferrujar", citada por Kurt Cobain na sua carta de despedida.
"Anos de Rebeldia", cujo título original é "Out Of The Blue", é um filme de 1981 que é diretamente inspirado em "Hey Hey, My My", mostrando o cotidiano de C.B. (Linda Manz), uma "punk girl" interiorana sempre pronta a arrumar confusões e fissurada em Elvis e Sid Vicious. Ao longo da trama, a menina vê o seu frágil núcleo familiar se desestruturar ainda mais após o seu pai, Don Barnes (Denis Hopper, também diretor do filme), sair da prisão.
Um detalhe fantástico em "Anos de Rebeldia" é que ele parece uma continuação natural de "Sem Destino", a fundamental obra de estréia de Hopper na direção e um verdadeiro marco cultural dos "sixties". Enquanto no primeiro filme há uma abordagem com um certo tom idealista e romântico para a trajetória dos dois traficantes-motoqueiros interpretados por Hopper e Peter Fonda, mas com final abrupto e violento, em "Anos de Rebeldia" essa visão mais reverencial dos anos 60 desaparece. Para o diretor, o sonho definitivamente acabou. A rebeldia, o amor livre e o uso de drogas, vistos anteriormente como formas de contestação da sociedade, foram distorcidos, passando apenas a serem mais uma forma de alienação. E C.B. é a encarnação perfeita dessa constatação, com a mesma tendo um ódio que chega a ser conceitual pelos hippies (a garota adora invadir as ondas de rádios amadores para ficar bradando "Kill All Hippies" - aliás, tal expressão é título de uma grande canção do Primal Scream, que inclusive sampleou as falas de C.B. para a música).
Hopper filma toda essa saga de decadência e destruição com muito vigor e estilo, apostando em um registro de fortes influências documentais que se casa perfeitamente com o espírito do filme. Isso se reflete logo na violenta abertura, com um dos acidentes automobilísticos mais brutais já visto no cinema, e também nas fantásticas seqüências de peregrinação noturna de C.B. pela cidadezinha onde vive e arredores, com a mesma se metendo em tudo que é tipo de encrenca, desde a puxar briga com leões-de-chácara com o triplo do seu tamanho até dar canja como baterista no show de uma banda punk e logo após participar do roubo de um carro. A espontaneidade captada por Hopper nesses momentos é admirável. É incrível também como a direção de fotografia oferece ao filme uma narrativa visual fortemente expressiva, abusando de longos planos-seqüência .
Além do belo trabalho na direção, Denis Hopper tem em "Anos de Rebeldia" uma das melhores interpretações de sua carreira, com o seu Don Barnes variando de forma comovente entre o francamente repulsivo e o patético. Mas o grande destaque do elenco do filme é sem dúvida nenhuma Linda Manz. Ela faz com que C.B. seja aquele tipo de personagem que fica rondando no nosso imaginário cinematográfico para sempre. Afinal, é em torno dela que gira o próprio filme, fazendo com que realmente ficamos íntimos da garota. Ao longo do filme, conseguimos perceber várias facetas de C.B.: sarcástica, apaixonada, carinhosa, carente, inocente, vingativa, sábia. Manz sabe captar e expressar todos esses lados da personagem, oferecendo uma atuação inesquecível. A garota ainda consegue resumir toda essa gama de sensações na trágica e irônica conclusão de "Anos de Rebeldia". Tal final, aliás, é uma verdadeira sacada de gênio de Hopper, dando um fecho sombrio e coerente para essa pérola transgressora da sua bissexta e marcante carreira de cineasta.
"Anos de Rebeldia", cujo título original é "Out Of The Blue", é um filme de 1981 que é diretamente inspirado em "Hey Hey, My My", mostrando o cotidiano de C.B. (Linda Manz), uma "punk girl" interiorana sempre pronta a arrumar confusões e fissurada em Elvis e Sid Vicious. Ao longo da trama, a menina vê o seu frágil núcleo familiar se desestruturar ainda mais após o seu pai, Don Barnes (Denis Hopper, também diretor do filme), sair da prisão.
Um detalhe fantástico em "Anos de Rebeldia" é que ele parece uma continuação natural de "Sem Destino", a fundamental obra de estréia de Hopper na direção e um verdadeiro marco cultural dos "sixties". Enquanto no primeiro filme há uma abordagem com um certo tom idealista e romântico para a trajetória dos dois traficantes-motoqueiros interpretados por Hopper e Peter Fonda, mas com final abrupto e violento, em "Anos de Rebeldia" essa visão mais reverencial dos anos 60 desaparece. Para o diretor, o sonho definitivamente acabou. A rebeldia, o amor livre e o uso de drogas, vistos anteriormente como formas de contestação da sociedade, foram distorcidos, passando apenas a serem mais uma forma de alienação. E C.B. é a encarnação perfeita dessa constatação, com a mesma tendo um ódio que chega a ser conceitual pelos hippies (a garota adora invadir as ondas de rádios amadores para ficar bradando "Kill All Hippies" - aliás, tal expressão é título de uma grande canção do Primal Scream, que inclusive sampleou as falas de C.B. para a música).
Hopper filma toda essa saga de decadência e destruição com muito vigor e estilo, apostando em um registro de fortes influências documentais que se casa perfeitamente com o espírito do filme. Isso se reflete logo na violenta abertura, com um dos acidentes automobilísticos mais brutais já visto no cinema, e também nas fantásticas seqüências de peregrinação noturna de C.B. pela cidadezinha onde vive e arredores, com a mesma se metendo em tudo que é tipo de encrenca, desde a puxar briga com leões-de-chácara com o triplo do seu tamanho até dar canja como baterista no show de uma banda punk e logo após participar do roubo de um carro. A espontaneidade captada por Hopper nesses momentos é admirável. É incrível também como a direção de fotografia oferece ao filme uma narrativa visual fortemente expressiva, abusando de longos planos-seqüência .
Além do belo trabalho na direção, Denis Hopper tem em "Anos de Rebeldia" uma das melhores interpretações de sua carreira, com o seu Don Barnes variando de forma comovente entre o francamente repulsivo e o patético. Mas o grande destaque do elenco do filme é sem dúvida nenhuma Linda Manz. Ela faz com que C.B. seja aquele tipo de personagem que fica rondando no nosso imaginário cinematográfico para sempre. Afinal, é em torno dela que gira o próprio filme, fazendo com que realmente ficamos íntimos da garota. Ao longo do filme, conseguimos perceber várias facetas de C.B.: sarcástica, apaixonada, carinhosa, carente, inocente, vingativa, sábia. Manz sabe captar e expressar todos esses lados da personagem, oferecendo uma atuação inesquecível. A garota ainda consegue resumir toda essa gama de sensações na trágica e irônica conclusão de "Anos de Rebeldia". Tal final, aliás, é uma verdadeira sacada de gênio de Hopper, dando um fecho sombrio e coerente para essa pérola transgressora da sua bissexta e marcante carreira de cineasta.
sexta-feira, 9 de setembro de 2011
Filmes da Semana, Coisas Que Perdemos Pelo Caminho
Os dois primeiros filmes que assisti da diretora dinamarquesa de Susanne Bier foram “Corações Livres” (2002) e “Brothers” (2004), obras altamente vigorosas, em que a cineasta combinava com maestria o rigor naturalista típico do movimento Dogma 95 e dinâmica narrativa admirável, além das tramas apresentarem uma forte densidade dramática que dispensava sentimentalismos excessivos. O superestimado “Depois do Casamento” (2006) colocou a perder boa parte das qualidades das produções anteriores, com a diretora sucumbindo a exageros melodramáticos e convencionalismos formais.
“Coisas Que Perdemos Pelo Caminho” (2007), estréia de Susanne Bier nas produções norte-americana, é um pouco melhor que “Depois do Casamento”, mas não recupera o brilho inicial de “Corações Livres” e “Brothers”. Por mais que o filme trate de temas difíceis como morte e vício em drogas pesadas, o tratamento que a cineasta oferece aos mesmos é asséptico demais, tirando muito do impacto que o filme poderia ter. Bier parece mais preocupada com as lições de vida do que com oferecer uma narrativa interessante. Mesmo assim, o filme mostra alguns atrativos, principalmente pela boa interpretação de Benicio Del Toro como o viciado Jerry (apesar de estar a léguas de distância do assustador junkie vivido por Del Toro no genial “Medo e Delírio em Las Vegas), além da bela trilha sonora recheada de inesquecíveis canções de Velvet Underground e Frank Zappa.
“Coisas Que Perdemos Pelo Caminho” (2007), estréia de Susanne Bier nas produções norte-americana, é um pouco melhor que “Depois do Casamento”, mas não recupera o brilho inicial de “Corações Livres” e “Brothers”. Por mais que o filme trate de temas difíceis como morte e vício em drogas pesadas, o tratamento que a cineasta oferece aos mesmos é asséptico demais, tirando muito do impacto que o filme poderia ter. Bier parece mais preocupada com as lições de vida do que com oferecer uma narrativa interessante. Mesmo assim, o filme mostra alguns atrativos, principalmente pela boa interpretação de Benicio Del Toro como o viciado Jerry (apesar de estar a léguas de distância do assustador junkie vivido por Del Toro no genial “Medo e Delírio em Las Vegas), além da bela trilha sonora recheada de inesquecíveis canções de Velvet Underground e Frank Zappa.
quinta-feira, 8 de setembro de 2011
A Morta Viva
O título em português desse filme clássico de Jacques Torneur lançado em 1943 pode fazer supor que seja uma produção podreira sobre zumbis. Mas o caso aqui é quase que o oposto. Assim como na sua outra obra-prima “Sangue de Pantera” (1942), o mestre dos filmes de horror da RKO prefere investir na construção de atmosferas sombrias e no suspense psicológico, onde a tensão vem muito mais do que é sugerido do que é realmente mostrado. Tourneur obtém seqüências de uma beleza visual perturbadora, principalmente naquela em que a enfermeira Betsy (Frances Dee) segue a Senhora. Holland (Edith Barrett) no meio de uma floresta sombria e enevoada. As trucagens são simples e econômicas, mas contribuem fantasticamente com o raro encanto sensorial de “A Morta Viva”. O resultado de tantas virtudes cinematográficas é um filme que envelheceu quase nada.
terça-feira, 6 de setembro de 2011
Caçado
Uma das coisas que mais se falou sobre o brilhante “Possuídos” (2006) é que o mesmo marcava o “renascimento artístico” de William Friedkin. Bem, quem falou essa bobagem provavelmente não viu ou tem de rever “Caçado”, produção de 2003 também dirigida por Friedkin, obra essa que está no mesmo nível de qualidade de outras belas obras-primas desse mestre como “Operação França” (1971) e “Viver e Morrer em Los Angeles” (1985). Friedkin mostra que não é necessário fazer dezenas de cortes por minutos para se fazer uma ótima seqüência de ação, sendo que é impressionante em “Caçado” a classe do trabalho de montagem do filme. O cineasta conduz com precisão uma obra que alia forte tensão com cenas eletrizantes de perseguição e lutas corporais. As seqüências em que os personagens de Tommy Lee Jones e Benicio Del Toro duelam com facas e no braço são primorosas no seu dinamismo cinematográfico. Aliás, outro ponto forte em “Caçado” é o ótimo trabalho de direção de atores, com Jones e Del Toro tendo alguns dos melhores momentos dramáticos de suas carreiras.
Assistir a “Caçado” é ver o bom cinema de ação em estado de graça nas mãos de um dos maiores especialistas no gênero.
Assistir a “Caçado” é ver o bom cinema de ação em estado de graça nas mãos de um dos maiores especialistas no gênero.
sexta-feira, 2 de setembro de 2011
O Amor nos Tempos de Cólera
A produção é norte-americana, o roteiro é baseado no livro de um escritor colombiano, a trama se passa numa cidadezinha imaginária da América do Sul, o diretor é inglês e o casal de protagonistas é vivido por um espanhol e uma italiana (com ambos falando um inglês macarrônico). É claro que não é regra que uma combinação esdrúxula dessas necessariamente teria de resultar em um mau filme, mas no caso de “O Amor nos Tempos de Cólera” toda essa confusa combinação de elementos acabou implicando numa obra sem vida e de personalidade nula. A bonita fotografia e a trilha sonora até tem seus encantos, mas não fazem com que a narrativa perca o seu excessivo ranço acadêmico. Confesso que não li o livro de Gabriel Garcia Márquez, mas a trama do livro, digna de uma novela das 8, não me estimulou nem um pouco a ler ao mesmo. É irritante também a forma caricatural com que Mike Newell retrata personagens e situações, tirando dos mesmos quaisquer traços de humanidade e consistência dramática. Tudo no filme é vazio e contaminado por um exotismo para anglo-saxões se deslumbrarem.
quinta-feira, 1 de setembro de 2011
Não Se Pode Viver Sem Amor
A proposta narrativa de Jorge Durán em “Não Se Pode Viver Sem Amor” (2010) é interessante como conceito. Três histórias paralelas que vão estabelecendo pontos em comuns até atingirem um denominador como trama única lá pelo seu terço final. Para fazer tal interligação, há toques de elementos fantásticos no roteiro. Se essa união entre uma abordagem naturalista e elementos de fantasia traz momentos insólitos que garantem o interesse para o filme, também é responsável pelo ponto fraco da produção, no sentido de revelar uma certa indecisão criativa na narrativa. A conclusão do filme é reflexo claro de tal postura, ao evidenciar uma solução estapafúrdia, típica de alguma novela global. Se tais equívocos comprometem o trabalho de Durán, por outro lado o cineasta compensa os mesmos ao apresentar um sólido trabalho de direção de atores – Simone Spoladore, Ângelo Antonio, Cauã Reymond e Fabíula Nascimento oferecem uma consistência dramática notável para os seus respectivos personagens.
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