terça-feira, 25 de outubro de 2011

Potiche



Se tem uma coisa que não dá para acusar o cineasta francês François Ozon é dele não manter uma coerência autoral em sua obra. Em “Potiche – Esposa Troféu” (2010), o diretor continua a fazer os seus experimentos de desconstrução de gêneros cinematográficos. O filme em questão apresenta uma estrutura de comédia de costumes meio bobinha, quase também nos moldes de seriados televisivos na linha “I Love Lucy”, mas situada dentro de um contexto histórico mais complexo – os turbulentos anos 70. Assim, questões espinhosas como a emancipação feminina, a liberação sexual, os conflitos de ideologia e a luta de classes passam por um viés cômico, que beira o frívolo, repletos de seqüências açucaradas, cenas de humor pastelão, revelações novelescas e exagerados figurinos de épocas. Esse choque de contradição entre os aspectos formais e temáticos de “Potiche” reflete o próprio gosto de Ozon em dessacralizar algo que, a princípio, deveria ser levado a sério. Nesse sentido, a participação de monstros sagrados do cinema francês como Catherine Deneuve e Gerard Depardieu não é gratuita – de certa forma, há uma sensação de estranhamento em ver tais artistas em meio a diálogos que chegam perto do pueril e de cenas de comédia amalucada.

A escolha de Deneuve para o papel de protagonista também deixa claro uma influência importante de Ozon em “Potiche” – o esquisito musical “Os Guarda-Chuvas do Amor” (1964), no qual Deneuve também interpretava a personagem principal. Em tal obra, o diretor Jacques Demy usava uma estrutura de filme de diálogos totalmente cantados, recurso típicos de fantasiosas produções de Hollywood, para embalar uma realista e dura história de amor não realizado, em um contraste de abordagem que se revela em sutil sintonia com a recente produção de Ozon. E para escancarar ainda mais tal referência, boa parte da ação de “Potiche” se desenrola em uma fábrica de, olha só, guarda-chuvas!!

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Estrada Real da Cachaça



Há duas cinebiografias dentro de “Estrada Real da Cachaça” (2008). Uma da própria bebida que está no título no filme, e outra do Brasil. Ou pelo menos de parte de sua história. Mas não se pense que o documentário tenha um fim meramente didático, pois tal narrativa se apresenta muito mais como uma espécie de viagem sensorial pela alma do brasileiro. O diretor Pedro Urano abdica de uma trama detalhada e linear para recriar a trajetória tanto da aguardente quanto do nosso país. São jogados na telas elementos diversos, simulando uma espécie de jogo aleatório, mas que aos poucos compõem um mosaico metafórico e perturbador de alguns dos mais remotos quintões nativos. A Estrada Real alude aos caminhos explorados para a extração e comercialização do ouro na era colonial, marcando o processo de civilização do país. Nos seus calcanhares, vem a difusão da cultura da cachaça e a sua consequente associação à constituição do imaginário coletivo do brasileiro. Para construir essa complexa associação de simbolismos, Urano utiliza depoimentos de populares (às vezes com uma língua portuguesa e pronúncia tão particulares que exige legendas), cantorias tradicionais, longas tomadas contemplativas de pessoas e paisagens, animações envolvendo mapas. A intenção não é tanto fazer o espectador “aprender” com os fatos, mas que o mesmo veja um fragmento de um estado de espírito, de um sentimento um tanto difuso, mas também verdadeiro.

Cabe ressaltar que a abordagem de Urano em “Estrada Real da Cachaça” não é exatamente de exaltação da bebida ou ufanista em relação ao Brasil. Há vários momentos no documentário em que a cachaça possui um caráter festivo e rende comicidade para a obra, mas Urano não se furta de mostrar sequências que evidenciam algo de degradante e melancólico na conseqüência que o vício na bebida pode causar em seus adeptos. Tal contradição se estende na visão dúbia que se oferece do nosso país: tão cheio de vida, mas também tão repleto de exploração e injustiças sociais – nesse ponto, a produção parece estabelecer um possível questionamento: “Não seria a cachaça usada também como um anestesiante para esse povo tão oprimido?”. No final das contas, essa dicotomia de atração e repulsa que permeia “Estrada Real da Cachaça” mais oferece perguntas do que respostas. E isso ainda mais acentua a fascinante aura de mistério que envolve o filme.

domingo, 16 de outubro de 2011

Manôushe



Talvez boa parte da interesse que vem de “Manôushe” (1992) seja o seu contexto histórico. Afinal, não é muito freqüente assistir no cinema nacional a uma obra que traga uma junção tão insólita de elementos diversos e estranhos. Situada em uma época algo imprecisa, a trama do filme traz cenas de danças flamencas, tipos grotescos, direção de arte estilizada que recria um ambiente de fábulas (obviamente, “A Lenda” de Ridley Scott parece ser uma influência que permeia toda a produção), diálogos com um dialeto totalmente inventado. A encenação de referências pouco ortodoxas como essas parece emular influências de Fellini, trazendo uma narrativa simbólica e delirante que pode assustar aqueles que estão habituados com a linguagem naturalista de boa parte da filmografia nacional recente. É certo que em alguns momentos o excesso de esquisitices do filme acaba cansando pela repetição, além do diretor Luiz Begazo não ter a mesma fluência para lidar com o picaresco fantástico que Fellini tinha. Mesmo assim, “Manôushe” acaba sendo uma experiência curiosa pela atmosfera atemporal e onírica que envolve a história.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Quebrando o Tabu




Tentar escrever sobre “Quebrando o Tabu” (2011) sob um prima exclusivamente cinematográfico pode ser um ato incompleto, no sentido de que a intenção do filme é muito mais evidenciar o seu tema do que ressaltar suas possíveis qualidades formais como produto audiovisual. O diretor Fernando Grostein Andrade até apresenta algumas soluções narrativas atraentes, principalmente na seqüência de abertura, em que utiliza recursos de animação para ilustrar a história do fascínio da humanidade pelas drogas. Além disso, há momentos em que ele consegue capturar com crueza depoimentos bastante contundentes sobre o assunto, principalmente quando o médico Dráuzio Varella entra em cena e dispara sua perplexidade e raiva contra hipocrisia que ronda a questão da descriminalização do uso de determinadas substâncias ilícitas. No geral, entretanto, predomina no documentário um certo tom cerimonioso, quase de um filme institucional sobre o tema. A trilha sonora melosa e inconveniente (sério, seria muito melhor em algumas seqüências que não tivesse música alguma!) acentua ainda mais essa impressão de obra-propaganda. Por outro lado, é de se convir que a abordagem sobre a matéria é até bastante ousada e pouco preconceituosa na forma franca com que lida com pontos tão polêmicos, ainda mais que a mídia geralmente apresente uma tendência conservadora quando trata da questão. Assim, se “Quebrando o Tabu” pouco impressiona como cinema, acaba se redimindo pela lucidez de seu aspecto sociológico.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Schock



Dentro da tradicional combinação do subgênero de filmes de horror de casas mal assombradas com tramas cheias de segredos, “Schock” (1977) acaba surpreendendo justamente naquilo que tem de mais particular – o detalhismo visual e narrativo de Mario Bava. O diretor aproveita cada cena para inserir diversos elementos imagéticos insólitos, explorando de forma bastante imaginativa um universo que se divide entre o delírio e o puro terror sobrenatural. Isso se reflete também na forma barroca com que Bava trabalha os contrastes visuais entre claro e escuro, além de trucagens impactantes, como estiletes que flutuam e braços que saem do chão e das paredes. Em tal concepção cinematográfica, a técnica não é um ente separado do lado temático – a primeira ajuda a dar sentido para a trama do filme, que vai se revelando cada vez mais sórdida e obscura, envolvendo seus personagens num vórtice de culpa e loucura. E em termos temáticos, “Schock” se revela até mais ousado do que aquilo que costumamos ver recentemente na linha terror/suspense – Bava torna a ambientação da obra cada vez mais opressiva e angustiante, não vislumbrando uma dicotomia tão clara entre o bem e o mal e também nem uma solução fácil de final feliz para os seus personagens.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Carros 2



Assim como boa parte do melhor que se produz atualmente em termos de animação, “Carros 2” (2011) traz uma gama de referências visuais e temática tão grande que de certa forma acaba sendo até mais atrativo para os adultos do que para as crianças. A trama evoca as conspirações rocambolescas típicas dos filmes iniciais da franquia de 007 com Sean Conery, o que dá para a animação um sabor nostálgico. O tom de parábola moral da primeira parte se mantém, mas acrescido desse pendor para a aventura mais elaborada, cheia de reviravoltas e momentos de tensão, ainda que temperada pelo viés cômico. Graficamente, a obra de Brad Lewis é de encher os olhos. A recriação estilizada de Tóquio e Londres combina com precisão realismo e fantasia, além de um admirável senso de ironia ao tirar um sarro de leve das afetações características de cada uma das nações em que a trama da produção se desenrola. E é claro que as citações e referências de “Carros 2” seriam meros truques formais sem maiores consequências se não viessem acompanhadas de uma narrativa que dosa habilmente ação alucinante e momentos estilo “lições edificantes de vida”.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Minha Terra, África



Em termos temáticos e filosóficos, “Minha Terra, África” (2009) parece emular alguns conceitos já trabalhados em filmes como “Apocalypse Now” (1979): o temor e a inabilidade do homem branco ocidental em lidar com o desconhecido e misterioso representado pelos povos ditos “selvagens” e pelos lugares que lhes são estranhos. No filme de Claire Denis, há a dissolução de velhos preceitos típicos dos que são “desenvolvidos” – a obsessão da francesa Maria Vial (Isabelle Huppert) em fazer a colheita de café da sua fazenda em pleno coração da África e no meio de uma sangrenta guerra civil poderia parecer heróica, mas na realidade apenas reflete a alienação, a insensibilidade emocional e a preocupação com a manutenção de um status econômico por parte da protagonista. A narrativa, que alterna sutilmente passado e presente, estabelece um lento e inexorável processo de destruição dos desejos da personagem, assim como relaciona de forma intrínseca os lados social e intimista da trama, como se quisesse jogar na cara de Maria a impossibilidade de seu alheamento da realidade que a cerca – o que acaba se consumando na tragédia familiar que encerra o filme. No mais, Denis estabelece um estilo de filmar que oscila entre o seco e o poético, como se contaminada por uma certa sensação de lassidão melancólica que provém de um país que se despedaça aos poucos, sentimento esse que a música etérea e sombria dos Tindersticks, habituais colaboradores da cineasta, sublinha em sintonia marcante.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

O Mar Mais Silencioso Daquele Verão


Os admiradores mais desavisados de Takeshi Kitano, acostumados com a violência fria e os banhos de sangue de obras magníficas como “Sonatine” (1993) e “Zatoichi” (2003), talvez estranhem a aparente inocência da comédia dramática “O Mar Mais Silencioso Daquele Verão” (1992), um dos filmes menos conhecidos de Kitano. Na verdade, tudo aquilo que caracteriza o universo desse mestre contemporâneo do cinema japonês está lá: o ritmo contemplativo, a amargura disfarçada de pequenas tolices, as emoções contidas dos personagens. A história ilusoriamente banal do surdo-mudo que quer ser surfista flui com naturalidade, às vezes até num tom quase prosaico, oscilando de forma insólita entre um humor quase constrangido e o drama rigoroso e acaba por desembocar em um final trágico que desconcerta pelo tom casual. No final das contas, é como se Kitano desprezasse as convenções dos gêneros cinematográficos (Isso é drama? Ou é comédia) e criasse uma categorização própria, ou seja, a sua concepção cinematográfica única. E que em obras posteriores ele radicalizou ainda mais.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Antes Só Do Que Mal Casado




Confesso que eu já considerava os irmãos Farrelly cartas fora do baralho. Seus últimos filmes vinham progressivamente se tornando comédias amenas, quase doces, sendo que chegaram ao fundo do poço com o medíocre e insosso “Amor em Jogo” (2005), onde conseguiram o milagre de tirar toda a graça da ironia amarga do livro original de Nick Hornby. Pois em “Antes Só Do Que Mal Casado” (2007) os caras conseguem se recuperar com louvor, retomando com sucesso o ritmo alucinado e a comédia física grotesca típicos do melhor de sua obra.

Mesmo não atingindo o grau de obra-prima de filmes como “Debi e Lóide” (1994) e “Todos Querem Ficar Com Mary” (1998), “Antes Só Do Que Mal Casado” tem vários momentos memoráveis de humor insano e sem concessões, além de uma galeria consistente de tipos inesquecíveis como o melhor amigo sem noção do protagonista Eddie Cantrow (Ben Stiller) e o primo mala e violento da amada de Eddie.

E é claro que não dá para esquecer que por trás da sua estrutura típica de comédia de erros e de algumas excelentes seqüências de puro humor pastelão e escrachado, “Antes Só Do Que Mal Casado” mostra também uma visão ácida sobre o comportamento humano e as relações amorosas. As enrascadas sentimentais em que Eddie se mete revelam uma concepção crua e pouco romântica sobre o casamento e os interesses que motivam homem e mulher a se unirem, dando o filme até mesmo um certo caráter questionador e perturbador.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Presságio



É claro que Lamberto Bava não tem a mesma classe estética do seu pai, o mestre Mario Bava. Mesmo assim, não dá para negar que ele tem competência razoável no domínio da narrativa cinematográfica. Mesmo não estando entre os pontos altos de sua cinematografia, “Presságio” (2010), produção dirigida originalmente para a televisão, consegue apresentar algumas das boas qualidades do “Bavinha”. A trama envolvendo elementos de policial e sobrenatural não apresenta grandes novidades no estilo, mas o cineasta insere elementos visuais interessantes, principalmente nas imagens oníricas de uma garota com capa de chuva fugindo de uma figura de preto, que parecem evocar cenas do clássico “Inverno de Sangue em Veneza” (1973). Bava também apresenta uma boa mão na direção de atores e composição cênica de algumas seqüências, dando ao filme um certo sabor nostálgico que lembram alguns filmes setentistas italianos no gênero giallo.

domingo, 2 de outubro de 2011

Metadona - Uma Maneira Americana de Trafica

Alguns posts atrás eu comentei sobre “Quebrando o Tabu” (2011), produção brasileira que discutia a questão da descriminalização das drogas e que tinha como principal problema o fato de ter uma concepção formal que caía muito para uma espécie de obra institucional sobre o tema. Pois “Metadona – Uma Maneira Americana de Traficar” (1974) tem uma pretensão aparentemente de ser um filme de caráter educativo sobre o tema do vício, mas o seu tratamento estético acaba fazendo com que transcenda tal finalidade. Pode-se discordar da visão dos autores sobre a questão da droga, mas o documentário acaba se grudando no nosso imaginário cinematográfico pela força de algumas de suas cenas. Tematicamente contra o uso oficial pelo governo da droga que o intitula, o filme possui uma formatação bem sistemática – escolhe dois grupos de apoio a usuários de heroína, um que utiliza a metadona no tratamento e outro que adota um método baseado em discussões de grupo, e os foca em dois momentos distintos com diferenças de poucos anos. Na primeira parte, a fotografia é em preto em branco, na segunda a mesma é colorida. Tal concepção nos registros não é gratuita: se nas tomadas mais antigas o preto e branco sombrio acentua um tom de angústia e incerteza para os viciados, nas mais recentes o colorido dá uma perspectiva de esperança para aqueles que conseguiram evoluir no tratamento. Se a dureza das situações focadas e de alguns depoimentos choca pela crueza, há momentos em que emerge de forma repentina uma inesperada dose de lirismo, principalmente quando a narrativa se concentra nas reuniões do segundo grupo, aquele que não usa metadona, em que um dos “remédios” adotados é o canto coletivo de clássicos do soul (afinal, os anos 70 foi um período de excelente safra de músicas no estilo). O conjunto de tais escolhas formais e temáticas dos diretores Jim Klein e Julia Reichert é que dá a “Metadona – Uma Maneira de Traficar” uma aura de clássico no gênero documental, ainda que um tanto obscuro.

sábado, 1 de outubro de 2011

Bens Confiscados


Eu tenho uma opinião sobre o que é mais importante para alguém ser um bom cineasta. Mais relevante do que ser inteligente, ter bom gosto cultural e consciência social ou fazer alguma faculdade de cinema, o cara tem de ser um cinéfilo. Não basta amar fazer filmes: tem de amar também assistir filmes. Se o nosso amigo não for um doente por cinema, sinto muito, mas ele estará nessa pela grana ou para comer as gatinhas.

Bem, essa breve digressão que fiz serve para embasar o fato de que Carlos Reichenbach, junto com Zé do Caixão, é o grande animal cinematográfico em atividade no Brasil. O homem respira cinema. Nunca é demais lembrar, por exemplo, que ele é o responsável pelas sessões Comodoro em São Paulo, projeto esse assemelhado aos Raros aqui de Porto Alegre, ambos destinados a exibir ao público filmes de díficil acesso.

E é claro que toda essa paixão cinematográfica de Carlos Reichenbach transparece em sua obra como cineasta. "Bens Confiscados" é exemplo do seu amor pela imagem em movimento. A começar pela sua magnífica seqüência de abertura, com um espetacular plano sobre a cidade de São Paulo que se estende para o apartamento de uma mulher preste a se suicidar. Muito boas também as tomadas obtidas por Carlão do litoral gaúcho, sendo que ele capta com perfeição uma certa beleza melancólica típica das praias do RS (efeito esse semelhante ao conseguido por Jorge Furtado em "Houve Uma Vez Dois Verões").

O ponto fraco de "Bens Confiscados" está no roteiro, que traz alguns excessos de situações desnecessárias (não é tão compacto e enxuto, por exemplo, quanto a trama de "Dois Córregos", um dos melhores filmes de Reichenbach). Mesmo assim, a história engedrada por Carlão traz aspectos bem interessantes. Achei fantástico, reforçando tais aspectos, a inversão de expectativa que se faz naturalmente ao logo do filme, sendo que o cineasta nos dá a entender que a enfermeira Serena, interpretada por Betty Faria, seria o vetor de maturidade e sabedoria da trama, quando na realidade o jovem Luiz Roberto (Renan Augusto) é quem tem a visão mais lúcida sobre o que está acontecendo, mesmo coberto pelo seu comportamento impulsivo e rebelde. Aliás, o trabalho de Carlão na caracterização de seus personagens é primoroso. Ele tem a consciência de que o bom personagem não é aquele que tem maior densidade psicológica, mas sim o que tem caráter carismático e funcional adequado para a sua trama. Nesse sentido, são antológicos as performances deliciosamente caricaturais de André Abunjara e Beth Goulart. Até Werner Schünemann tem um desempenho acima da sua média, sendo que mesmo algumas pontas como a de Eduardo Dusek e Bira Valdez são fortemente marcantes.


E é claro que não se poderia comentar "Bens Confiscados" sem mencionar a seqüência em que os personagens interpretados por Marina Person, Fernanda Carvalho Leite e Renan Augusto se enroscam de maneira insólita na beira da praia, em um dos mais belos momentos eróticos do cinema brasileiro dos últimos tempos.